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17/09/2018



Qualidade de vida durante o tratamento

Aqualidade de vida é muito importante para que o paciente esquizofrênico possa prosseguir nas suas atividades e se sentir incluído na vida familiar, profissional, estudantil e outras. Familiares e amigos podem ajudar no controle das medicações e estimulando outras atividades como exercícios físicos, lazer, música, dança, etc. Tudo que promova a normalidade na vida do paciente.1 Estimular a realização tarefas possíveis, e valorizar cada conquista também são fatores que influenciam de forma positiva na qualidade de vida.


As visitas ao médico

No início do tratamento as visitas ao médico devem ser feitas pelo menos uma vez por semana para que o profissional possa ajustar a medicação e controlar os principais sintomas. Em alguns casos poderá haver necessidade de uma curta internação para controlar quadros mais graves. A medida que a doença vai ficando sob controle, o paciente pode ir ao médico uma vez por mês a fim de verificar se a medicação está sendo tomada corretamente e se os sintomas estão sob controle. Os familiares e o paciente podem perceber sintomas logo no início de um novo surto e procurarem o médico especialista, mesmo fora do período programado.2



A rotina dos medicamentos

A rotina dos medicamentos é muito importante para que não haja falhas no tratamento e interferências na melhora do paciente. É importante que o médico adote uma regra na tomada para que o paciente não se esqueça de nenhuma dose. Os familiares também podem ajudá-lo a estabelecer um horário, especialmente quando o paciente ainda tem certa dependência por conta da doença. Para que não haja falhas, de forma geral, os médicos costumam facilitar a tomada da medicação com horários pré-estabelecidos.2


A rotina diária

A rotina diária é sem dúvida fundamental para o esquizofrênico. Estabelecer horários para dormir e acordar ajudará a não trocar a noite pelo dia já que muitos podem ficar várias horas nas mídias sociais, perdendo noites de sono. A fim de evitar comportamentos de isolamento, também é importante estabelecer horários para as atividades do dia a dia.1


Recomendações especiais

É importante que o paciente seja estimulado ao autocuidado e orientado a manter hábitos saudáveis como higiene pessoal, atividades físicas, alimentação balanceada, etc. Estes dois últimos merecem atenção especial já que o paciente esquizofrênico tem tendência ao aumento de peso devido à falta de movimentação ou mesmo pelo uso de algumas medicações.1,2

Ajudá-lo a evitar o uso de álcool, drogas e principalmente o tabaco também é importante. O hábito de fumar por exemplo, pode ser bastante prejudicial porque, além de ser nocivo à saúde, o cigarro pode interferir em algumas medicações.3 Em casos mais graves a família pode auxiliar nestes processos.



As crises ou recaídas

Muitas vezes pode haver uma piora do quadro por falta da tomada da medicação. Há casos em que o próprio paciente joga o remédio fora por se julgar bem e é aí que entra a família, para verificar de perto se o paciente realmente tomou a medicação. De forma geral, alguns pequenos sinais podem ser observados antes de uma crise ou recaída como isolamento, irritação ou comportamentos estranhos. Quanto mais precoce a identificação destes indícios, mais rapidamente uma intervenção poderá ser feita, evitando um maior agravamento do quadro e/ou internações.2


A família também precisa de cuidados

É importante que familiares de pessoas com esquizofrenia, principalmente pessoas próximas como pai, mãe, marido, esposa também se cuidem. Durante o processo, desde a descoberta da doença até o tratamento e controle dos sintomas é muito comum haver um certo desgaste que leva a sentimentos de culpa, impotência, entre outros. Por isso o especialista costuma encaminhar os familiares para a psicoterapia, para acompanhamento em grupo de ajuda ou de qualquer outra necessidade que eles venham a ter.1,2 Cuidar do cuidador, ajudando-o a manter seu bem-estar é um dos grandes segredos para o sucesso do tratamento da esquizofrenia.











Referências bibliográficas:
1. Noto CS, Bressan RA. Esquizofrenia - Avanços no Tratamento Multidisciplinar. Ed Artmed, 2012.
2. Kaplan& Sadock. Sadock BJ, Sadock VA, Ruiz P. Transtorno do espectro da esquizofrenia e outros transtornos psicóticos. Em: Sadock BJ, Sadock VA, Ruiz P. Compendio de Psiquiatria: ciência do comportamento e Psiquiatria Clínica. 11ª. Ed Porto Alegre . Artmed, 2017; p 300-46.
3. Bernard PP, Esseul EC, Raymond L, Dandonneau L, Xambo JJ, Carayol MS, Ninot GJ. Counseling and exercise intervention for smoking reduction in patients with schizophrenia: a feasibility study. Arch Psychiatr Nurs, 2013; 27(1), 23-31.


*Este conteúdo não reflete a opinião da Sandoz do Brasil – BR1808874278 – Agosto/2018

Dra. Alexandrina Maria Augusto da Silva Meleiro – CRM 36.139

Médica Psiquiatra pela Associação Brasileira de Psiquiatria
Doutora em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da FMUSP
Coordenadora da Comissão de Estudo e Prevenção de Suicídio da ABP
Membro da Comissão de Atenção à Saúde Mental do Médico da ABP
Conselho científico da Associação Brasileira de Portadores transtorno Afetivo – ABRATA
Diretora Científica da Associação Brasileira de Estudo e Prevenção de Suicídio - ABEPS