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17/09/2018



A esquizofrenia é uma doença que se inicia na adolescência/adulto jovem, evolui de forma crônica e interfere muito na vida das pessoas. De modo geral observa-se uma mescla de sintomas que envolvem alucinações e delírios que afetam a percepção como um todo interferindo nas emoções, no comportamento e funcionalidade psicossocial.1 É importante procurar um médico, assim que algum sintoma da esquizofrenia é percebido, seja pelo próprio paciente ou por seus familiares e/ou amigos.


A nossa percepção sobre o esquizofrênico

A maioria das pessoas pensa que a esquizofrenia é uma doença grave e que seu portador é perigoso. Isso acontece porque a imagem do esquizofrênico está relacionada com aqueles que não estão sendo devidamente tratados e acompanhados e assim, podem estar apresentando comportamentos estranhos. Quando o tratamento está sendo seguido corretamente, o esquizofrênico é capaz de ter um convívio social saudável, trabalhar, assim como cumprir tarefas na sua rotina diária. Daí a grande importância do diagnóstico e tratamento adequado. O estigma está relacionado à desinformação e estereótipos, que levam a preconceitos, discriminação e ao distanciamento social do esquizofrênico.2 Infelizmente há sentimentos de medo, desconfiança e aversão pelos portadores de doenças mentais.



Existem algumas manifestações que antecedem a doença ou mesmo um surto. São sintomas prematuros, vagos e dificilmente notados, que podem incluir: redução da concentração, da atenção, da energia, da motivação, humor depressivo, alterações do sono, ansiedade, isolamento social e irritabilidade.1




Causas da esquizofrenia

A causa da esquizofrenia ainda é desconhecida. O que sabemos é que ela envolve vários fatores, mas com predomínio da herança genética, em que pai, mãe, ou outros familiares já apresentaram quadros da doença. A esquizofrenia pode se agravar diante de causas emocionais e ambientais, como estresse ou uso de drogas por exemplo.3 Por ser hereditária, a doença pode vir desde a gestação, mas vai se manifestar por volta dos 10 aos 15 anos. Dessa forma, 50% das causas podem ser atribuídos à hereditariedade e os outros 50% a acontecimentos do dia a dia4, que são como “gatilhos” para a esquizofrenia.


Atenção com as crianças. A esquizofrenia pode se manifestar cedo

A esquizofrenia começa a se manifestar desde muito cedo e inicialmente caracteriza-se pela perda do contato com a realidade. A pessoa pode ficar fechada em si mesma, com o olhar perdido, indiferente a tudo o que se passa ao redor ou, ter alucinações e delírios. Quando apresenta alucinações, o esquizofrênico ouve vozes que ninguém mais escuta e imagina estar sendo vítima de uma conspiração tramada com o firme propósito de destruí-lo, e não se desfaz com nenhuma argumentação.3 Nestas fases (infância e pré-adolescência) têm início as “atitudes estranhas”, e é quando a família e pessoas próximas precisam estar alertas.











Referências bibliográficas:
1. Associação Americana de Psiquiatria. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5ª edição DSM-5, Artmed. Porto Alegre, 2014.
2. Barbosa TRS. Estigma face à doença mental por parte de futuros profissionais de saúde. Dissertação. Porto – Portugal. Universidade do porto. 2010.
3. Louzã Neto MR, Elkis H. Esquizofrenia. In: Louzã Neto M R, Elkis H. Psiquiatria Básica. 2ª. Ed. Porto Alegre: Artmed, 2007; p 235-63.
4. Vallada Filho HP, Samaia H. Esquizofrenia: aspectos genéticos e estudos de fatores de risco. Revista Brasileira de Psiquiatria. 2000; 22(suppl 1), 2–4.
5. Kaplan& Sadock. Sadock BJ, Sadock VA, Ruiz P. Transtorno do espectro da esquizofrenia e outros transtornos psicóticos. Em: Sadock BJ, Sadock VA, Ruiz P. Compendio de Psiquiatria: ciência do comportamento e Psiquiatria Clínica. 11ª. Ed Porto Alegre. Artmed, 2017; p 300-46.

*Este conteúdo não reflete a opinião da Sandoz do Brasil – BR1808874278 – Agosto/2018 (conteúdo atualizado em 23/01/2020).

Dra. Alexandrina Maria Augusto da Silva Meleiro – CRM 36.139

Médica Psiquiatra pela Associação Brasileira de Psiquiatria
Doutora em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da FMUSP
Coordenadora da Comissão de Estudo e Prevenção de Suicídio da ABP
Membro da Comissão de Atenção à Saúde Mental do Médico da ABP
Conselho científico da Associação Brasileira de Portadores transtorno Afetivo – ABRATA
Diretora Científica da Associação Brasileira de Estudo e Prevenção de Suicídio - ABEPS