Gastrite Confira a entrevista com a Dra. Nora Manoukian Forones, Professora Associada Livre-docente da disciplina de Gastrenterologia Universidade Federal de São Paulo, para entender o diagnóstico de gastrite, sintomas e como podemos prevenir. É hora de tirar suas dúvidas!

13/06/2017

Antes de tudo, o que é gastrite.

Gastrite é a inflamação da mucosa do estômago e muitas vezes é usada como sinônimo de dispepsia, mas atenção: são doenças diferentes. Dispepsia é a dificuldade de digestão. Já a gastrite pode ser aguda ou crônica.

A aguda pode ser causada por álcool, medicamentos como anti-inflamatórios, infecções virais, bacterianas, parasitoses e fungos, enquanto a crônica, na maioria das vezes, é causada pela bactéria Helicobacter pylori ou por doenças autoimunes. 

Eu, você, todo mundo pode ter.

A gastrite pode surgir em qualquer idade, independente do gênero. No entanto, a gastrite crônica do envelhecimento ou da anemia perniciosa ocorrem com maior frequência após os 50 anos. Já o diagnóstico de gastrite crônica autoimune é mais comum em mulheres.

Dor, azia, ardor...

Com sintomas que lembram a dispepsia, as dores podem piorar com alimentos ácidos, gordurosos e café. A azia pode se manifestar através de refluxo de suco gástrico para o esôfago bem como a perda de apetite, sensação de enchimento após alimentação, flatulência, náuseas e vômitos. Cuidado, a gastrite hemorrágica pode ser acompanhada de vômito com sangue vivo e fezes escurecidas que lembram borra de café. Muitas vezes a gastrite não tem nenhum sintoma e é diagnosticada quando o indivíduo faz o exame de endoscopia digestiva.

E se não for gastrite?

As dores na barriga podem aparecer em outras doenças comuns do estômago como dispepsia, úlcera gástrica ou do duodeno. O câncer de estômago em fase inicial pode causar uma dor que pode ser confundida com gastrite, uma vez que no início da doença tumoral os sintomas são leves.

Cálculos de vesícula geralmente causa de dor em cólica no lado direito do abdome, acompanhado de náuseas, vômitos, consequência da ingestão de frituras, ovo, entre outros. Em alguns casos estes sintomas podem não ser característicos e confundidos com os de gastrite.

Como se faz o diagnóstico.

O diagnóstico de gastrite é realizado através de endoscopia digestiva alta que permite a visualização da inflamação, confirmada pela biópsia do estômago pelo patologista. Em caso de uso de anti-inflamatórios recentes, o diagnóstico é sugestivo. A endoscopia confirma o diagnóstico de gastrite assim como permite diferenciar de outros diagnósticos como úlceras de estômago e duodeno ou câncer. A pesquisa de Helicobacter pylori pode ser realizada durante a endoscopia pelo teste da urease ou no material de biópsia.

Como devo tratar

O tratamento varia com a causa da doença. Nos casos de gastrite medicamentosa, a suspensão da medicação e a prescrição de medicações que diminuem o ácido gástrico tratam o quadro. Nos casos de gastrite por Helicobacter pylori, a bactéria pode ser erradicada com o uso de pelo menos 2 antibióticos.

Nos casos de gastrite crônica por doença autoimune, o uso de vitamina B12 deve ser indicado. Nas gastrites agudas, uma dieta leve, a suspensão do cigarro, do álcool, a ingestão da dieta em horários fixos, podem melhorar os sintomas.

A importância da alimentação

Nos casos de gastrite aguda, alimentos gordurosos de digestão prolongada devem ser evitados. Caso haja piora na dor com a ingestão de alimentos ácidos como laranja, abacaxi etc., retire-os de sua dieta. Ainda, o tabagismo e o álcool em excesso podem ser causa de gastrite e impedir a sua cura.

Estresse e tabagismo: dois grandes inimigos.

O estresse causado por cirurgias, internações em unidades de terapia intensiva ou grandes queimaduras podem levar à gastrite com pequenas ulcerações chamada de gastrite erosiva. Estresse emocional causado por problemas do cotidiano, assim como o tabagismo são na maioria causadores de dispepsia.

Nunca se automedique

No caso específico de gastrite, a automedicação pode impedir o conhecimento da causa da doença e mascarar alguns sintomas para o diagnóstico. O ideal é procurar um profissional de saúde para diagnóstico e indicação de tratamento. O mesmo profissional saberá direcionar a necessidade ou não de exames complementares de sangue ou endoscópicos.

Dra. Nora Manoukian Forones CRM 31232
Prof. Associado Livre-docente da Disciplina de Gastroenterologia
Universidade Federal de São Paulo UNIFESP-EPM

*Este conteúdo não reflete necessariamente a opinião da Sandoz do Brasil.
BR1707669355 – Julho/ 2017