Saúde da Mulher

A vida das mulheres é feita de fases representadas por profundas transformações no corpo e na alma feminina. Da puberdade ao climatério, cada idade, ao mesmo tempo em que traz dúvidas e receios com as mudanças corporais, também vem carregada de novas expectativas que convidam a mulher a se reinventar. Seja qual for o seu momento esteja pronta para a vida mantendo-se bem informada e cuidando bem da sua saúde. Que venham as novas fases!

A primeira menstruação a gente nunca esquece (dos 10 aos 15 anos)

A primeira menstruação é um dos acontecimentos mais marcantes na vida de uma mulher. De forma geral, ela acontece entre 10 e 15 anos, idade em que as meninas estão entrando na pré-adolescência, época em que os hormônios estão a todo vapor. Junto com a menstruação, chegam também as mudanças físicas, como o crescimento das mamas e dos pelos, que causam grande impacto emocional. Nessa fase é importante que as garotas comecem a conhecer seu corpo e os pais podem ajudar nesta tarefa, especialmente explicando sobre cuidados íntimos e o ciclo menstrual e a naturalidade dessas mudanças.1

Este também é um bom momento para a primeira visita ao especialista, que além de solicitar exames para verificar o bem-estar geral, também pode ajudar na orientação da saúde íntima neste primeiro momento e no decorrer dos anos. Nesta fase também é importante a prevenção do HPV (Papiloma Vírus Humano), responsável pelo câncer de colo de útero.2

Anticoncepcionais: uma conquista feminina (dos 16 aos 20 anos)

Embora algumas jovens iniciem a vida sexual mais cedo, nesta fase, a produção de alguns hormônios atingem um pico mais elevado. As visitas ao ginecologista são extremamente importantes para verificar a necessidade da escolha de um método contraceptivo. Vale lembrar que qualquer tipo de contracepção deve ser orientado pelo médico, afinal o organismo de cada mulher é diferente um do outro e é preciso verificar o método ou o medicamento com o qual você vai se adaptar melhor.5

Ao longo dos anos foram desenvolvidos diversos métodos anticoncepcionais e hoje a maioria deles, como as pílulas, garantem eficácia e apresentam poucos efeitos colaterais, não interferindo no peso e amenizando a acne e a TPM.6

Nos anos da TPM (dos 21 aos 30 anos)

Outro ponto importante é a TPM, que pode colocar as mulheres à beira de um ataque de nervos nesta fase. Embora os ciclos menstruais comecem a ficar mais estáveis, a TPM costuma ser mais frequente por volta dos 25 anos, portanto pode incomodar bastante. O acompanhamento médico pode ajudar a cuidar da TPM, assim como a detectar possíveis disfunções como infecções urinárias, candidíase, ovários policísticos, entre outras.7 Em muitos casos o uso de contraceptivos pode ajudar, pois alguns métodos auxiliam no controle do ciclo, não provocam retenção de líquidos ou acne.8 De forma geral, algumas atitudes podem aliviar alguns desconfortos como prática de atividades físicas e alimentação equilibrada que ajudam no caso das alterações emocionais cólicas, inchaço, entre outros sintomas da TPM.

A encantadora maternidade (dos 31 aos 40 anos)

Nessa fase a mulher costuma pensar em ter filhos e caso esteja usando algum método contraceptivo é hora de conversar com o médico sobre a parada da medicação e a melhor forma de iniciar uma gravidez saudável.

Quando o bebê está a caminho, corpo e mente passam por profundas transformações em um curto espaço de tempo. Serão apenas 9 meses e já nas primeiras semanas o organismo feminino inicia uma reorganização do abdome para receber a nova vida e abrigá-la de forma confortável durante esse período.9 Há mulheres que se sentem ótimas e esbanjam energia durante toda a gestação. Outras, já sentem algum desconforto, que pode ser facilmente contornado investindo em hábitos saudáveis.

Climatério: mais uma nova etapa se inicia (pré-menopausa)

Nesta etapa da vida a mulher entra em um período chamado pré-menopausa ou perimenopausa, quando começam a surgir os primeiros sinais do climatério. Assim como na adolescência, aqui também há alterações hormonais, mas a diferença é que dessa vez os níveis de hormônios femininos, vão baixando gradativamente, marcando a passagem do ciclo reprodutivo para o não reprodutivo, onde o organismo deixa de produzir óvulos.11

A partir daí o corpo inicia a tarefa de se adaptar a queda hormonal, deixando a mulher mais suscetível à desconfortos de intensidade variável como os ciclos irregulares. Embora em quantidade menor, após o cessar da atividade ovariana o organismo continua produzindo certa quantidade de estrogênio, que mantém seu efeito protetor sendo direcionado a áreas chave, como o cérebro, coração e ossos.11

Converse com seu médico sobre terapias que podem ajudar amenizar os desconfortos.

Bem-vinda à menopausa (dos 51 anos em diante)

Como existe uma certa confusão sobre o que é menopausa e climatério vamos começar esclarecendo: menopausa trata-se de uma data específica representada pelo cessar da menstruação, já o climatério é todo o período em que os níveis hormonais vão baixando até chegar a níveis mínimos, que se inicia antes da menopausa.11

Apesar dessa transformação, nessa etapa da vida feminina já existe uma certa estabilidade e a mulher pode viver plenamente seus sonhos. Assim, para algumas mulheres, este período representa o início de uma nova vida e para que isso aconteça é preciso preservar o bem-estar, controlando os sintomas característicos dessa fase como fogachos, suores noturnos, oscilação de humor, entre outros.11

As visitas ao médico são importantes para verificar a saúde de forma geral, averiguar a necessidade de uma terapia de reposição hormonal ou receber alguma outra orientação importante para garantir sua qualidade de vida.

Referências bibliográficas:

1. Rodrigues de Lima Machado LV. Ciclo menstrual. Menstruação. Esteroidogênese. In: Rodrigues de Lima G, Ginecologia Clínica, Atheneu, São Paulo, 2015, p.13-23.
2. http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/hpv, acessado em 03/10/2018
3. Ginecologia & Obstetrícia - Manual para Concursos/TEGO. GUANABARA KOOGAN DIDÁTICO; 4ª Edição SOGIMIG, Capítulo 4, p.19-20.
4. FEBRASGO - Manual de Ginecologia Endócrina. Ed. 2015, Capítulo 7, p.58-61.
5. Giribela CRG Steiner ML. Planejamento familiar,conceitos, fundamentos e princípios. In: Endocinologia Feminina. Pompei LM Fernandes CE (eds). Manole, Barueri (SP), 2016, p.341-369.
6. Moreira, L.M.A. Métodos contraceptivos e suas características. In: Algumas abordagens da educação sexual na deficiência intelectual [online]. 3rd ed. Salvador: EDUFBA, 2011, pp. 125-137.
7. Rodrigues de Lima G Soares Jr JM Feldner Jr PC. Tensão pré-menstrual. In: Rodrigues de Lima G, Ginecologia Clínica, Atheneu, São Paulo, 2015, p. 41-46.
8. Arruda C.G., Fernandes A., Cezarino P.Y.A., Simões R. Tensão Pré-Menstrual Autoria: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade. Projeto Diretrizes. Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina.
9. Zugaib M Repercussões da gravidez sobre o organismo materno. In: Obstetrícia. Zugaib M (ed), Manole, Barueri (SP), 2008, p.157-182.
10. Ginecologia & Obstetrícia - Manual para Concursos/TEGO. GUANABARA KOOGAN DIDÁTICO; 4ª Edição SOGIMIG, Capítulo 66, p.531-537.
11. FEBRASGO - Manual de Orientação em Climatério. 2010, p.4-60.

*Este conteúdo não reflete a opinião da Sandoz do Brasil – BR1810914356 – Outubro/2018

Dra. Verônica Borchardt Mininel - CRM-SP 112221

Graduada em medicina pela Faculdade de Medicina de Santo Amaro (UNISA) em 2003;

Especialização e Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia pelo SUS, Hospital Ipiranga;

Especialização em Patologia do Trato Genital Inferior (PTGI) pelo Hospital Pérola Byington;

Monitora do curso de cirurgia a Laser e cirurgia de Alta frequência do Hospital Pérola Byington desde 2013;

Médica preceptora no Hospital Municipal Universitário (HMU) desde 2012.

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05/11/2018