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27/02/2019

Queimação ou dor no peito? Sensação de que a comida ficou entalada na garganta? Uma certa rouquidão? Isso pode ser Doença do Refluxo Gastroesofágico, a qual é muito comum e deve ser tratada adequadamente para evitar que evolua para uma esofagite. No entanto, algumas mudanças nos hábitos podem diminuir o risco da doença.1 Cuide-se!

1. O que é Refluxo?

Refluxo é o resultado do mal funcionamento de um músculo no final do esôfago, que permite que líquidos digestivos façam um caminho errado. O esôfago é um órgão que liga a faringe ao estômago e é nele que geralmente ocorre o refluxo. Ao final deste órgão existe um músculo que funciona como uma válvula, regulando a passagem dos alimentos para o estômago. Mesmo em períodos em que o organismo não recebe alimentação, esse músculo pode abrir a passagem durante alguns minutos e, se ele não estiver funcionando adequadamente, pode ocorrer refluxo entre o estômago e o esôfago, o que é chamado de doença do refluxo gastroesofágico. 1

Na maioria das vezes, o refluxo é do tipo ácido, ou seja, trata-se do retorno de suco gástrico do estômago para o esôfago, mas existem casos raros de refluxo de bile, o chamado refluxo alcalino. Como consequência dessa doença, pode ocorrer a inflamação do esôfago, que é chamada de esofagite de refluxo. 1

A incidência da doença do refluxo gastroesofágico vem aumentando nas últimas décadas e acomete indivíduos em todas as idades, incluindo crianças, no entanto, o número de casos de indivíduos com a doença aumenta significativamente após os 40 anos. Os motivos mais comuns para ela ter se tornado um dos principais diagnósticos no médico gastroenterologista estão relacionados aos hábitos alimentares, entre eles:1

Maior ingestão de carboidratos e gorduras;

Refeições em grande quantidade;

Aumento do número de indivíduos com sobrepeso ou obesidade;

Consumo de bebidas alcoólicas.

2. O que pode causar todo esse desconforto?

O refluxo ocorre por problemas na válvula existente entre o esôfago e o estômago, mas alguns fatores aumentam a incidência. 1

• Aumento da pressão intra-abdominal (causado por obesidade, gravidez, etc.);

• Alguns alimentos (tomate, chocolate, cebola, alho, comidas apimentadas etc.);

• Líquidos gaseificados;

• Bebidas ricas em cafeína (café, chás etc.);

• Alimentos gordurosos (feijoada, fritura etc.);

• Fumo e álcool;

• Hábito de se deitar após se alimentar;

• Hérnia de hiato (alteração anatômica no diafragma, que pode causar refluxo ou esofagite).

3. Conheça os principais sintomas da doença 

O refluxo pode apresentar sintomas mais amenos como azia e arrotos, ou mais intensos, quando acompanhado de esofagite. Neste caso, é possível ter dor ou queimação na área do esôfago, dor ou dificuldade para engolir, vômitos, náuseas e tosse principalmente ao deitar. Outros sintomas que podem acontecer são dor no peito, rouquidão por inflamação das cordas vocais, otite e sinusite.Em caso de inflamação do esôfago com úlceras ou erosões, podem ocorrer sangramentos, mas são menos frequentes.1,2,3

4. É possível evitar a queimação?

Mudar os hábitos pode fazer muita diferença. Confira algumas dicas para controlar o refluxo:1

Adote uma alimentação saudável, baseada no consumo moderado de carnes magras, verduras e frutas a cada 3 horas;

Não fique muito tempo sem se alimentar;

Evite alimentos gordurosos que demoram mais para serem digeridos;

Refrigerantes ou água gaseificada favorecem o refluxo;

Evite roupas apertadas na altura da cintura ou no abdome, pois estas aumentam a pressão intra-abdominal e favorecem o refluxo;

Evite alimentar-se em momentos de tensão;

Coma devagar, mastigando bem os alimentos, pois este hábito facilitará a digestão.

5. Evite complicações

O refluxo pode levar à inflamação da mucosa do esôfago (esofagite), o que pode acarretar na alteração do tecido, transformando-o em um tecido semelhante ao do intestino.1,2,3 Esta doença em que o epitélio do esôfago se transforma em epitélio intestinal é chamada de Doença de Barrett e está associado a um aumento no risco de tumor de esôfago.4

6. Saiba como diagnosticar e tratar o refluxo

O primeiro passo é verificar se há alguma causa na alimentação ou nos hábitos de vida, como tabagismo ou alcoolismo, que possa ser modificada. Caso os sintomas de azia ou queimação no esôfago persistam, procure o médico.1 Dor ou dificuldade para engolir são sintomas que podem indicar uma doença mais séria e devem ser melhor avaliadas. Caso a caso, podem ser indicados diferentes exames para diagnóstico médico.2,3

Após a avaliação do caso, o médico poderá decidir se há necessidade de tratamento medicamentoso e indicar a melhor opção. A automedicação pode mascarar doenças mais sérias e retardar o tratamento adequado. Por isso, em caso de sintomas de problemas gastrointestinais, procure sempre ajuda de um médico especialista.1

Referências bibliográficas:

1. Barbuti RC, Moraes Fo. JP. Doença do Refluxo gastro-esofágico. Abordagem clínica In: Borges DR, Colombo AV, Ramos LR, Ferreira L, Guinsburg R. Atualização terapêutica. 26ª. Ed., São Paulo. Artes Médicas. 2018, pp:1021-5
2. Moraes-Filho JP, Navarro-Rodriguez T, Barbuti R, Eisig J, Chinzon D, Bernardo W; Brazilian Gerd Consensus Group. Guidelines for the diagnosis and management of gastroesophageal reflux disease: an evidence-based consensus. Arq Gastroenterol. 2010; 47(1):99-115
3. Katz PO, Gerson LB, Vela MF. Guidelines for the diagnosis and management of gastroesophageal reflux disease. Am J Gastroenterol 2013;108:308-328
4. Forones NM, Herbella F, Del Grande JC. Câncer de Esôfago. In Borges DR, Colombo AV, Ramos LR, Ferreira L, Guinsburg R. Atualização terapêutica. 26ª. Ed., São Paulo. Artes Médicas. 2018, pp 1935-6

*Este conteúdo não reflete a opinião da Sandoz do Brasil – BR1902965374 – Fevereiro/2019

Dra. Nora Manoukian Forones - CRM 31232

Prof associado da Disciplina de Gastroenterologia da UNIFESP
Médico do Hospital Oswaldo Cruz
Especialista em Gastroenterologia e Oncologia