O sono não é uma opção, e sim uma necessidade

Em uma grande parcela dos casos de insônia, a causa é um mal maior não tratado, como é o caso da ansiedade.

A insônia é apontada como um problema de saúde pública grave. Acredita-se que de 30% a 40% da população sofra de insônia ocasional e cerca de 10% tenha de insônia crônica.1

Por isso, sempre que possível devemos respeitar nossa necessidade individual de sono, pois está comprovado cientificamente que dormir bem pode melhorar a saúde como um todo, trazendo benefícios físicos e emocionais. 2

Não dormir aumenta o risco de desenvolver doenças 2

Problemas cardiovasculares;

Depressão;

Alterações cognitivas;

Dificuldade de concentração;

Dificuldade de memorização;

Déficit de aprendizado;

Queda no rendimento intelectual e profissional;

Comprometimento do sistema imune.

Qual o número de horas ideal para dormir?3

O fator principal que determina o tempo de sono é a idade. Isso acontece porque a necessidade de sono muda ao longo da vida, mas existe uma média recomendável de sono que vai de 6 a 9 horas, sendo que a maioria das pessoas se sente bem com 7 a 8 horas de sono.

O tempo de sono é individual3

Ainda que haja faixa de sono recomendada de forma igual aos indivíduos, cada organismo demanda sua própria necessidade de sono para mais ou para menos. Por isso, uma pessoa pode dormir em torno de 6 horas e se sentir bem enquanto outras precisam de 9 horas para terem a disposição necessária. De forma geral, as pessoas sabem a quantidade de sono de que precisam quando acordam bem-dispostas e passam o dia bem.

O sono muda com o avançar da idade1

Ao contrário do que muitos pensam, no idoso a necessidade do sono não diminui com a idade. O que acontece é que muitas vezes o idoso sente necessidade de dormir e acordar mais cedo do que uma pessoa mais jovem. Assim podemos dizer que o sono muda com o tempo e o padrão de sono também se modifica se tornando um pouco mais curto com o avançar da idade. Pode acontecer também de o sono ficar mais superficial e a pessoa precisar de uma soneca durante o dia, o chamado sono bifásico, além do sono da noite, o principal.

A preferência do horário para dormir3

Além da quantidade de horas há também uma preferência do horário do sono e ambos são geneticamente determinados. Existem pessoas que são mais vespertinas e outras que são mais matutinas. A maioria das pessoas são chamadas de intermediárias porque funcionam conforme a rotina, se adaptando bem ao horário de acordar ou de dormir.

Contudo existe uma parte da população que apresenta uma tendência genética para dormir mais cedo e outra para acordar mais tarde. Mas ao longo da vida as pessoas se acostumam a uma rotina e fixam o sono de acordo com seus horários. Então, com relação ao sono, podemos dizer que existe a necessidade do organismo, a variação da idade e a variação individual, que irão determinar a necessidade de sono de cada pessoa.

As pessoas não se preocupam com o sono1

As pessoas, em geral, estão dormindo um pouco menos do que antes. Esse fato é atribuído ao estilo de vida, ao excesso de luz, de informação, entre outros fatores que interferem na rotina do sono. Um exemplo é o celular, que surgiu há pouco anos, mas que já causa um impacto muito grande sobre os hábitos das pessoas, especialmente no sono, por causa da luz excessiva e das horas gastas em atividades que poderiam ser de descanso, e não de leitura em tela de luz.

As pessoas não dormem o quanto deveriam1

A maioria das pessoas acha que o sono é menos importante do que seus compromissos, então passam a substituir o sono por atividades diárias. É importante entender que isso gera problemas de saúde no futuro, especialmente porque não há como substituir a falta de sono. Não existe como compensar o sono, no dia em que a pessoa dorme mais, fica bem, mas não significa que compensou o sono perdido.

O que é a insônia?2

A insônia é uma queixa médica muito frequente e se caracteriza quando a pessoa tem dificuldade de iniciar ou de manter o sono, ou ainda quando acorda antes do tempo, mesmo em condições adequadas para dormir. Quando a falta de sono tem impacto diurno, então é formalmente caracterizada como insônia, caso contrário não.

Tipos de insônia2

• Insônia transitória: incapacidade de dormir por um período de poucas noites, com duração menor que quatro semanas. Geralmente surge em consequência de estresse ou excitação.

• Insônia aguda: insônia de duração curta e com causa bem definida como uma dor, uma cirurgia, etc. Sua duração é menor que um mês. Pode ou não precisar de tratamento.

• Insônia crônica: que apresenta dificuldade de iniciar e/ou manter o sono e despertar antes do tempo. Esse tipo tem repercussão na vida diurna e se caracteriza pela presença dessa dificuldade por pelo menos três dias por semana, durante 3 meses.

A insônia pode ser um sintoma de outra doença1

Em uma grande parcela dos casos de insônia, a causa é um mal maior não tratado, como é o caso da ansiedade. Neste caso, não é caracterizada como insônia e sim como um sintoma propriamente dito. Um segundo exemplo de causador de insônia é a apneia do sono, que tem tratamento, eliminando os sintomas. Mas nem sempre é assim. Mas às vezes a insônia é a patologia principal e necessita de um tratamento específico. Só o médico pode fazer este diagnóstico.

Referências bibliográficas:

1. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais [recurso eletrônico]: DSM-5/ [American Psychiatric Association; tradução: Maria Inês Corrêa Nascimento ... et al.]; revisão técnica: Aristides Volpato Cordioli ... [et al.]. – 5. ed. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre: Artmed, 2014.
2. American Academy of Sleep Medicine. International Classification of Sleep Disorders. 3rd ed. Darien, IL: American Academy of Sleep Medicine; 2014.
3. Pinto Jr L. R., Alves R.C., Caixeta E., et al. New guidelines for diagnosis and treatment of insomnia. Arq Neuropsiquiatr 2010;68(4):666-675.
*Este conteúdo não reflete a opinião da Sandoz do Brasil – BR1811918452 – Novembro/2018

Dra. Rosa Hasan ̶ CRM/SP: 55795

Neurologista – Especialista em medicina do sono.
Coordenadora do laboratório do sono do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP – Universidade de São Paulo.
Coordenadora do Laboratório do Sono da Faculdade de Medicina do ABC.
Responsável pelo setor do Polissonografia do laboratório ALTA – Excelência Diagnóstica.
Trabalha na área de medicina do sono há 15 anos

Home > Cuidados de A a Z > Insônia > O sono não é uma opção, e sim uma necessidade

13/11/2018