Epilepsia: Recomendações para uma vida saudável Após o diagnóstico: como conviver bem com a epilepsia.

Vida que segue 1,2

A partir de um bom diagnóstico, tomar a medicação corretamente e evitar fatores de risco contribuem para que a epilepsia e suas crises se mantenham controladas e a qualidade de vida aumente. Segundo estudos, aproximadamente três quartos dos pacientes podem se tornar livres de crises através do uso das medicações, podendo até ter, eventualmente, sua medicação retirada após algum tempo. Outros precisarão dar continuidade ao tratamento por tempo indefinido.

Se houver necessidade, o especialista pode também recomendar um acompanhamento com psicólogo. Especialmente quando a preocupação com as crises ocupa um espaço maior na vida da pessoa do que seus amigos, familiares ou ela mesma.

Há como prevenir as crises?1

Acompanhamento médico e tomada correta das medicações podem prevenir as crises. Além disso, algumas atitudes ajudam a elevar a qualidade de vida e bem-estar como cuidar bem da saúde de forma geral, controlar fatores de risco como diabetes, colesterol etc. e ficar longe dos agentes facilitadores.

As auras2

Algumas pessoas podem sentir os sinais de quando uma convulsão está vindo. Estes sinais são conhecidos como aura e variam de pessoa para pessoa, podendo acontecer horas ou segundos antes de uma crise. De forma geral eles ajudam a pessoa a se preparar para crise buscando ajuda ou se colocando fora de perigo. As sensações mais comuns são: depressão, irritabilidade, rompimento do sono, náusea, e dor de cabeça, entre outros.

Ambientes externos e ações de risco1

Mesmo podendo levar uma vida normal, existem certos ambientes que podem oferecer risco ao indivíduo com epilepsia caso esteja desacompanhado. É o caso do mar, rio, piscina, montanhas ou qualquer lugar que ofereça risco de morte ou acidente grave, caso haja uma crise, portanto é sempre recomendável estar acompanhado quando for a estes locais. A atenção deve ser redobrada se a pessoa não estiver em tratamento.

Cuidados na gestação1

Existem grupos de pessoas que precisam de atenção maior frente a crises, como gestantes, que podem planejar sua gravidez e viver esta fase com qualidade de vida, desde que sigam alguns cuidados essenciais como o acompanhamento médico e a tomada da medicação. Vale lembrar que as crises podem oferecer mais risco ao bebê do que os remédios, portanto a gestante nunca deve interromper o tratamento e é essencial consultar ao médico quanto aos possiveis ajustes necessários da medicação durante esse período.

Crianças epilépticas3

Crises epilépticas e epilepsia na infância são relativamente comuns e tanto a família, como professores e educadores, devem estar atentos a sua ocorrência. Cerca de 50% dos casos ocorrem em crianças menores de 5 anos de idade. Quanto mais cedo vier o diagnóstico e tratamento, melhores as chances de reintegração a seu núcleo familiar, escolar e social.

O epiléptico pode dirigir?1

Muitas vezes, para ter a carteira de motorista, a pessoa não informa sua condição de epiléptico e de que toma remédios. É importante que as pessoas falem sobre sua condição na hora de tirar a carteira de motorista, pois caso contrário, elas poderão colocar a vida de outras pessoas, e a dela própria, em risco, caso tenha uma crise ao volante. De forma geral, a recomendação é que o epiléptico só poderá dirigir depois de um ano sem crises e tomando a medicação da maneira indicada. Quando liberado para guiar, o médico que o acompanha, deverá preencher um laudo se responsabilizando pela veracidade da liberação.

O ideal é manter a independência1

Para se levar uma vida normal, o ideal é estimular a independência. Familiares e amigos podem ajudar procurando não expor a pessoa epiléptica a fatores que possam desencadear as crises, ou a situações de risco, em que a pessoa fique vulnerável. O cultivo de bons hábitos deve ser sempre incentivado, drogas e bebidas alcoólicas devem ser evitados. Com automotivação, o paciente fortalece sua independência e adesão ao tratamento ganhando mais estímulos para trabalhar, passear, sabendo por si mesmo que precisa ficar longe dos fatores que podem desencadear a crise.

A medicina e a conquista na qualidade de vida4

O avanço da medicina contribuiu para o controle de crises epilépticas, melhorando sua qualidade de vida e inserindo-o dentro uma vida normal. Assim, para a sociedade é importante lembrar que o portador de epilepsia é capaz de viver uma vida plena, trabalhar, estudar e se relacionar, especialmente se o ambiente estiver livre de preconceitos. O tratamento correto vai ajudar no controle das crises e, consequentemente, na retomada da autoconfiança que vai impulsionar o indivíduo na conquista dos seus sonhos.

Referências bibliográficas:

1. Berg A. T. Berg, Berkovic S. F., et al. Revised terminology and concepts for organization of seizures and epilepsies: Report of the Commission on Classification and Terminology, 2005–2009. Epilepsia, 51(4):676–685, 2010.
2. Neto J.G. e Marchetti R.L. Aspectos epidemiológicos e relevância dos transtornos mentais associados à epilepsia. Rev Bras Psiquiatr. 2005;27(4):323-8.
3. Rizzutti S., Muszkat M., et al. Epilepsias na Infância. Rev. Neurociências 8(3): 108-116, 2000.
4. Linhares V; Meneses R.F; et al. Preditores da qualidade de vida na epilepsia. Psic., Saúde & Doenças vol.15 no.1 Lisboa mar. 2014; pp 61- 77.
*Este conteúdo não reflete a opinião da Sandoz do Brasil – BR1811918457 – Outubro/2018

Dr. Rodrigo Rizek Schultz – CRM 80.201

Professor de Neurologia do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Santo Amaro, UNISA

Presidente da Associação Brasileira de Alzheimer, ABRAz Nacional

Coordenador do Ambulatório de Demência Grave do Setor de Neurologia do Comportamento da Universidade Federal de São Paulo, UNIFESP

13/11/2018