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01/06/2017


A definição de epilepsia sofreu alterações ao longo dos anos. Dizia-se que precisavam ocorrer duas crises espontâneas para se definir a doença. Contudo, nos dias atuais, basta apenas uma crise, desde que se demonstre a predisposição persistente do cérebro do paciente para gerar crises epilépticas. 

A desordem neurológica ocasionada pela epilepsia resulta de descargas elétricas provenientes de uma ou mais áreas do cérebro sobre um conjunto de neurônios. As manifestações das crises variam de acordo com o local no cérebro onde as descargas têm início e o tempo que duram. 

Aproximadamente 50 milhões de pessoas com epilepsia no mundo¹

Estima-se que existem 3 milhões de pessoas com epilepsia no Brasil²

IMPORTANTE - Nem toda convulsão é epilética, assim como nem toda crise é convulsiva, ou seja, na epilepsia, a crise convulsiva é a mais conhecida popularmente em função da forma como se manifesta, mas há outros tipos de crises, como a “crise de ausência”, que consiste em um simples “desligamento” do paciente da realidade. 

Quais são os principais tipos de crise e como se manifestam?
Existem dois grupos principais de crises: as focais e as generalizadas. As últimas são aquelas em que o paciente apresenta perda de consciência. 

Crise Focal - O paciente pode experimentar sensações diversas e que não ocorrem quando não está em crise. Podem ocorrer movimentos bruscos de uma parte do corpo, sentimento de medo, confusão mental e dor. 

Crise de Ausência - É um subtipo de crise generalizada. O indivíduo fica “desligado”, ausente da realidade por alguns segundos. Geralmente, ele retoma a consciência em seguida. 

Crise tônico-clônica generalizada - Inicialmente, o indivíduo perde a consciência. Em seguida, cai e fica com o corpo rígido. Depois, passa a ter tremores nas extremidades do corpo que também se contraem. É, possivelmente, a crise mais popularmente conhecida. 

Como é feito o diagnóstico? 
O histórico clínico do paciente é muito importante para o diagnóstico da epilepsia. É feito fundamentalmente pela descrição das crises, para que o médico possa identificar a qual categoria ela pertence (de ausência, tônico-clônica etc) e, então, propor o tratamento adequado. Além disso, exames de neuroimagem são ferramentas úteis no diagnóstico. 

A epilepsia tem cura? 
Se o indivíduo conseguir manter-se sem crises mesmo sem a medicação durante anos, poderá ser considerado curado. Para que isso ocorra, o médico deve identificar o tipo de epilepsia, definir o tratamento adequado e, aos poucos, conforme os sintomas regredirem e se estabilizarem, diminuir gradualmente o medicamento, até interrompê-lo por completo. Existem diversos tipos de fármacos anticonvulsivantes que oferecem bons resultados com pouquíssimos efeitos adversos. Para alguns pacientes, a cirurgia pode ser uma opção. Recentemente os médicos passaram a adotar a técnica que consiste em implantar um marcapasso que atua como neuroestimulador do nervo vago (um dos principais nervos do cérebro), para tratamento de epilepsia crônica e de difícil controle. Tal dispositivo emite correntes elétricas (de baixa voltagem) que enviam estímulos ao sistema nervoso. Esses estímulos auxiliam a reduzir o número de crises epilépticas e promover um controle mais eficaz da doença. 

Durante as crises
Fique calmo e não tente parar a crise, cuide para que a pessoa em crise não se machuque, mantendo-a longe de qualquer objeto que possa feri-la, colocando qualquer coisa macia sob a cabeça. Não coloque nada na boca. Deite-a de lado com a cabeça elevada para que possa respirar bem e não aspirar o conteúdo do estômago, caso vomite. 

Após as crises 
Espere que a crise termine espontaneamente e depois deixe-a repousar ou dormir, ficando com ela até que se recupere. O pessoa deve sempre procurar um médico especialmente quando for a primeira crise, se a crise durar mais de 10 minutos, se ela se repetir em intervalos breves, ou se a pessoa tiver sofrido algum tipo de ferimento. Em casos de dúvida sempre levá-lo ao serviço de saúde mais próximo ou chamar o resgate. Avise a família e questione sobre eventos anteriores assim como o uso de medicamentos para epilepsia. 


Referências:

1) www.odia.ig.com.br/noticia/mundoeciencia/2015-09-25/portadores-de-epilepsia-sofrempreconceito-mas-vida-normal-e-possivel.html
2) www.aspebrasil.org/index.php/quem-somosAssociação Brasileira de Epilepsia - www.epilepsiabrasil.org.br
3) Liga Brasileira de Epilepsia - epilepsia.org.br/mitos-e-tabus/. 

*Conteúdo revisado por: Dr. Daniel Freire – CRM: 97368-SP
*Este conteúdo não reflete necessariamente a opinião da Sandoz do Brasil
BR1704628501 – Abril/2017