No mês da saúde mental, saiba mais sobre as causas e tratamento de transtornos mentais! Os transtornos mentais são alterações do funcionamento da mente que podem prejudicar o convívio familiar e até mesmo profissional dos pacientes. Dentre as causas,
estão predisposição genéticas, fatores psicológicos, socioambientais, entre outros.

Confira mais informações sobre os diagnósticos e tratamentos nesta entrevista exclusiva com a psiquiatra Dra. Alexandrina Maria Augusto da Silva Meleiro.

22/09/2017

1. Quais são os transtornos mentais mais comuns?
Os transtornos mentais mais comuns são: transtorno de humor (inclui a depressão e o transtorno bipolar), transtorno de ansiedade (ansiedade generalizada, fobias, obsessão e compulsão e transtorno do estresse pós-traumático), dependência química (relacionados a dependência ao álcool e outras drogas), esquizofrenia e transtorno de personalidade. Tais transtornos afetam um grande número de pessoas e, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), de 31% a 50% da população brasileira pode vir a apresentar pelo menos um episódio de transtorno mental durante a vida.

Em nível global, cinco das dez causas principais de incapacidade e morte prematura são transtornos mentais. Estima-se que em 2030, a depressão será a principal causa de incapacidade e morte prematura, acima de outras patologias como as doenças cardiovasculares, as doenças respiratórias, o diabetes e doenças infecciosas.

2. Quais as causas mais comuns dos transtornos mentais?
Tais diagnósticos podem ter diversas causas, entre elas estão os fatores biológicos (genéticos, prejuízos no parto, pós-parto, traumatismo craniano e/ou nos neurotransmissores), fatores psicológicos (traumas infantis, histórico de abuso físico ou sexual, bullying, entre outros) e fatores socioambientais (ambiente familiar, cultural, desemprego etc). Pesquisas recentes mostram que nos quadros de transtornos mentais há áreas cerebrais com funcionamento alterado de acordo com cada tipo de transtorno mental.

3. O que é TOC?

O transtorno obsessivo compulsivo (TOC) caracteriza-se por dois tipos de manifestações:
1. Aparição de obsessões: as obsessões são ideias ou imagens que vem repetidamente à mente do paciente independente de sua vontade. O paciente reconhece tais manifestações como sem sentido, entretanto não consegue evitar. São relacionadas à religião, sexo, contaminação e agressão dentre outras causas; 2. Aparição de compulsões: já as compulsões são atos ou rituais que o indivíduo se vê obrigado a executar para se sentir aliviado e/ou evitar as obsessões. Tais compulsões são repetidas várias vezes, e quando não executadas geram muita ansiedade. São compulsões frequentes em pacientes diagnosticados com TOC: lavar as mãos, verificar se a porta está trancada ou a válvula do gás está fechada, questionar uma informação repetidamente etc.

4. Qual o tratamento para o TOC?
O tratamento do TOC envolve a combinação de medicamentos e psicoterapia. Os medicamentos indicados são os antidepressivos, em geral é utilizado por tempo prolongado. Muitos portadores de TOC apresentam outros transtornos associados como fobia social, depressão, transtorno de pânico e alcoolismo. Além disso, também é recomendada a terapia comportamental para melhoraria na interação social.

5. A insônia pode causar algum transtorno mental?
A insônia pode ser um sintoma de transtorno mental, como início de quadros de ansiedade, depressão, dependência química e esquizofrenia, mas também pode ser um fator desencadeante de algum transtorno mental. O sono é fundamental para o corpo e a mente e são necessários pelo menos de seis a oito horas de sono diárias. Atualmente, o hábito de passar horas em frente ao computador ou celular contribui para uma qualidade de sono prejudicada.

6. Existe alguma forma de se prevenir os transtornos mentais?
Sim, podemos prevenir os transtornos mentais ao adotar bons hábitos de vida como prática de atividade física e alimentação saudável, evitar consumo de bebidas alcoólicas, e reduzir os fatores estressores são recomendações importantes. Uma rotina desregrada, com sono irregular, muito estresse, excesso de trabalho e abuso de álcool ou substâncias psicoativas podem desencadear o aparecimento de transtorno mentais.

7. Quais são os principais sintomas dos transtornos mentais?
Os sintomas das doenças mentais podem ser vários, a depender do tipo de doença mental. No caso da depressão os principais sintomas são: tristeza profunda e duradoura (em geral mais que duas semanas), perda do interesse ou prazer nas atividades cotidianas, sensação de vazio, falta de energia, apatia, desânimo, falta de vontade, perda da esperança, pensamentos negativos e pessimistas, sentimento de culpa ou autodesvalorização, alteração do sono e apetite e, em casos graves, ideias de morte e suicídio.

8. Existe uma faixa etária mais comum para desenvolver transtornos mentais?
A faixa etária mais comum para desenvolver transtornos mentais é a adolescência e início da vida adulta, com exceção da doença de Alzheimer que surge na terceira idade. Por isso, é recomendado que os pais estejam atentos às mudanças de comportamento. Crises de ansiedade, depressão, TOC, dependência química e esquizofrenia normalmente aparecem antes dos vinte anos de idade. Muitas vezes pensamos que alguns comportamentos são comuns, mas é fundamental a percepção do que extrapola as reações normais e afasta o paciente do convívio social.

9. Transtorno mental tem cura?
Não, mas é possível controlar assim como se controla patologias como o diabetes, por exemplo. O paciente pode ter grandes períodos de melhora e estabilidade dependendo do diagnóstico precoce e tratamento adequado. Tais recomendações variam de caso a caso e é recomendado o diagnóstico e orientação de um psiquiatra.

10. Qual o primeiro passo que a família deve tomar quando acreditar que um parente sofra de algum transtorno mental?
O primeiro passo é procurar conversar com o paciente sobre o que ele está sentindo e saber ouvir sem criticá-lo ou julgá-lo. Ao falar, o paciente vai se sentir confortável em saber que sua angústia, ansiedade, depressão, delírio ou alucinações estão sendo entendidas e ficará mais fácil convencê-lo a juntos procurar ajuda. A família deve vencer os receios, medos, preconceitos, estigmas e buscar um psiquiatra. O médico irá realizar uma avaliação diagnóstica adequada e orientar a melhor conduta terapêutica para o transtorno mental.

11. Como lidar com o transtorno mental na família?
O papel da família é fundamental para o tratamento. Atitudes hostis, críticas e superproteção prejudicam o paciente. Apoio e compreensão ajudam para que o paciente possa ter uma vida independente e conviva satisfatoriamente com a doença.

*Conteúdo desenvolvido e revisado por
Dra. Alexandrina Meleiro Médica Psiquiatra. CRM – SP 36139
Doutora em Medicina /Dep. Psiquiatria, Psiquiatria
Instituto de Psiquiatria do HC-FMUSP
*Este conteúdo não reflete a opinião da Sandoz do Brasil
Setembro/2017 - BR1709701310